Aegea destaca PPP de olho em novos projetos

Empresa captou recentemente 500 milhões de dólares em títulos sustentáveis

26 de julho de 2022Infraestrutura
Maior operadora privada de saneamento básico no Brasil, a Aegea prepara o terreno para dar os próximos passos na agenda de universalização dos serviços, prevista no novo marco legal do setor. 

Recentemente, a companhia captou 500 milhões de dólares em títulos sustentáveis (SLB), tornando-se a primeira operadora de saneamento da América Latina a emitir títulos de longo prazo atrelados ao cumprimento de metas socioambientais, como redução do consumo de energia em 15%, aumento de mulheres e negros em cargos de liderança, de 32% para 45% e de 17% para 27%, respectivamente. 

Em entrevista ao GRI Club Infra, o presidente da Aegea, Radamés Casseb, diz acreditar que “a complementaridade entre os setores público e privado é essencial para o país solucionar o déficit no saneamento, que ainda possui realidades alarmantes”. Na carteira de concessões da companhia, seis projetos são no modelo de parceria público-privada (PPP). 

“Destaco nossa concessão em Piracicaba, no interior de São Paulo, onde a universalização foi alcançada apenas dois anos após o início da PPP para gestão da coleta e tratamento do esgoto”. Hoje, a cidade aparece na 7ª colocação entre as dez melhores do país, segundo o Ranking do Saneamento do Instituto Trata Brasil, publicado em 2021. 


Operação Águas de Teresina, no Piauí, atende 1 milhão de pessoas com água tratada e 310 mil com esgotamento sanitário. Foto: Divulgação/Aegea

O executivo ressalta que outro ponto importante para o avanço do saneamento é as companhias - tanto públicas quanto privadas - apresentarem bons planos de negócios, demonstrando capacidade operacional e de investimentos. 

Oportunidades no radar

Perguntado sobre as oportunidades no momento, especificamente a operação da Copanor, em Minas Gerais, que foi reprovada pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), Casseb afirma que a Aegea está sempre atenta e tem avaliado novas licitações em todas as regiões do país. 

Segundo reportagem do Valor Econômico, a companhia se prepara para disputar as parcerias público-privadas no Ceará, que deverão ser licitadas em setembro, e tem especial interesse em novos projetos no Rio Grande do Sul, onde desde 2019 participa de uma PPP de esgoto que abarca nove municípios. 

Na entrevista ao GRI, Casseb elogiou o novo marco legal do saneamento, que segundo o executivo traz a segurança jurídica necessária para atrair mais investimentos e acelerar a universalização dos serviços de água e esgoto. 

“É notável a escala que a regionalização oferece, reunindo municípios pequenos - ou com recursos mais limitados - para aumentar a atratividade dessas cidades. Este é um dentre vários aspectos da nova legislação que atua de modo a incentivar o crescimento dos investimentos privados no setor”, afirma. 

Hoje, a Aegea está presente em 154 municípios brasileiros, atendendo populações que variam de três mil a 6,8 milhões de habitantes. “Nos adaptamos aos muitos ‘Brasis’ que existem no país. Para nós, uma concessão é mais do que um contrato com o poder concedente; é um compromisso com a prosperidade em cada território onde atuamos”. 

Por fim, Casseb diz que a companhia acompanha com interesse as discussões sobre a integração de serviços relacionados a drenagem e resíduos sólidos nas concessões de água e esgoto. “Para nós, o setor de drenagem pluvial tem sinergia com diversos projetos. O desafio para solucionar o déficit do saneamento no Brasil passa diretamente pela integração de todo o processo do ciclo da água”.

Infra Minas GRI 2022

Por Henrique Cisman